Uma aldeia, um clube
O regresso ao dia em que fotografei campos de futebol debaixo de chuva e a salvaguarda do património de um histórico do futebol nacional
“Durante alguns segundos, as minhas sapatilhas dizem-me que o mais sensato é voltar um dia destes, mas o colorido da fachada ganha logo vantagem. Lá vou eu, de guarda-chuva numa mão e câmara fotográfica na outra. A fachada é ainda mais bonita sem o filtro do vidro do carro. Tiro algumas fotos e volto ao carro, para contornar os muros do campo e ver se encontro mais uma razão para permanecer mais um pouco. Meio minuto depois dou por mim de boca aberta e a pronunciar baixinho um “não acredito”. Como é que alguém se lembrou de fazer isto? Quantas horas e pessoas foram precisas para dar forma a esta empreitada? Como é que, em tantos campos que já visitei, nunca tinha encontrado nada igual? Muitas perguntas e muitas fotos depois – que mostrarei por cá numa próxima oportunidade – volto ao carro e sigo em direcção ao terceiro e último campo.”
Este excerto consta de uma edição anterior da newsletter, em que fiz referência a dois campos de futebol que fotografei num dia algures em Maio, em Vila Real: o campo do Sport Clube de Mateus – ao qual dediquei essa edição – e um outro, que abordei de uma forma muito superficial, mas tentando aguçar a curiosidade de quem me lê. Prometi regressar ao tema e aqui estou eu para partilhar convosco as imagens que tirei nesse campo de futebol, um dos que mais gostei de conhecer até à data: o Estádio do Cruzeiro, casa da Associação Desportiva e Cultural de Constantim.
Fundado em 20 de Abril de 1976, o Constantim está prestes a comemorar os seus 50 anos e joga actualmente na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Vila Real. As minhas pesquisas online por informações sobre a história do clube não deram resultado, mas encontrei algumas fotos antigas nas redes sociais do Constantim que merecem ser partilhadas:


Mas voltando ao estádio, o Constantim tem no seu recinto de jogos um dos detalhes mais espectaculares que já encontrei em campos de futebol: um enorme painel em pastilha, com o emblema do clube cravado numa das paredes laterais do estádio. Se alguém por aí souber quem foi o criador (ou criadores) desta obra, o porquê do recurso a este material ou outras curiosidades sobre o painel ou mesmo sobre o clube, sinta-se à vontade para encher a caixa de comentários.
Entretanto, espero que as imagens possam transmitir a beleza deste lugar, que tem mais três pormenores que achei curiosos: o logo do grupo de cicloturismo do Constantim, afixado na entrada da sede; a existência de um café/snack-bar chamado O Estádio, quase em frente à entrada do recinto; e o facto de o campo estar ladeado não só pela clássica Rua Campo de Futebol, mas também por uma outra com referência directa ao nome do estádio – a Rua Estádio do Cruzeiro. Tudo aqui parece girar em torno do clube, reforçando o lema do Constantim: “uma aldeia, um clube”.
Vale (muito) a pena seguir
Património Vitória Futebol Clube
De Vila Real seguimos até Setúbal para vos falar de um projecto que conheci muito recentemente, chamado Arquivo e Património Histórico do Vitória Futebol Clube. Para além de estar a inventariar o património do clube, este projecto tem como objectivos conservar e restaurar o acervo histórico do Vitória, criar um conjunto de bases digitais com fotografias, vídeos e recortes de jornais ou promover a criação de um museu virtual, entre outros.
Quem tiver camisolas antigas, artigos de jornais, fotos ou objectos relacionados com o Vitória FC pode participar activamente neste projecto, cedendo-os para que possam ser fotografados ou digitalizados e assim enriquecer este espólio tão importante não só para o clube, mas também para o património desportivo nacional.
2025
Mais um ano, mais uma mensagem de agradecimento a todas as pessoas que acompanham o Futebol de Tostões, que me motivam a continuar e que têm contribuído para que este projecto chegue a cada vez mais pessoas. 2025 foi um ano de muitas estreias e de bons desafios:
em Março, fui até à Universidade do Minho dar uma aula aberta aos alunos do Mestrado em Arquitectura. Durante a sessão falámos sobre os pontos de contacto entre futebol, território, comunidade e arquitectura.
no mesmo mês regressei ao Minho, mais concretamente a Barcelos, para uma conversa sobre futebol popular com o Miguel Fernandes, autor do livro “O Campo de Jogos: narrativas socioespaciais do futebol popular no território Barcelense”, que teve por base um amplo estudo que o Miguel realizou sobre futebol popular neste concelho.
em Abril foi altura de celebrar os 8 anos do Tostões e partilhar algumas fotos de arquivo tiradas ao longo de centenas de quilómetros percorridos em estradas nacionais.
Julho foi o mês da estreia do Tostões fora de portas. A organização do 352 Football Festival desafiou-me a ir até ao Luxemburgo expor algumas fotos do projecto e participar numa mesa redonda sobre futebol popular, na companhia do Kilian Depuhl (Fussball Woche) e do Valentin L’Arena, com moderação do Harlem Lamine (Football Case Study).
um mês depois voltei a dar o meu contributo ao Terrace Edition, com um artigo dedicado ao primeiro clube açoriano e um dos mais antigos de Portugal: o Fayal Sport Club.
por último, 2025 foi também o ano em que comemorámos o primeiro aniversário do Futebol de Tostões aqui no Substack. Foram 10 edições (sem contar com esta) de temas muito diversos, mas que têm em comum a minha enorme admiração pelo futebol popular e distrital e por todas as histórias que ele tem para contar. Podem consultar o arquivo a qualquer momento, clicando aqui.
Obrigada por estarem desse lado, enquanto subscritores da newsletter ou como seguidores do Futebol de Tostões no Instagram ou no Facebook.
Até 2026!















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